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Opiniões de segundos: papel do meio de comunicação nas eleições

O mundo virtual é algo fantástico: matéria obrigatória aos psicólogos, sociólogos e afins. Não dá para falar da humanidade de hoje desconsiderando os novos meios de comunicação. Confesso que sei pouco sobre tudo isso; mas já deu para perceber em pouco tempo de iniciação, a grandiosidade e a velocidade como as coisas acontecem neste mundo. Há quem diga que o mundo real e o virtual não são distintos, e que a interferência de um sobre o outro é tão extrema e freqüente que nunca mais poderemos separá-los. Não quero tratar aqui dessa nova forma de relacionamento humano, mas expor minha idéia em relação a esse novo comportamento na questão política.

A velocidade e a disponibilidade dos novos meios de comunicação foram essenciais para todas as mudanças no nosso século: fóruns tentam decifrar o poder da mídia nos novos tempos e se existe algum tipo de regulamentação possível. A verdade é que tudo nós podemos, mas nem tudo nós devemos. Essa máxima é a questão fundamental na regulamentação da propaganda eleitoral e o uso da internet para meios políticos.

A discussão aqui nem é sobre a norma, mas se esse mundo virtual, principalmente no Brasil; poderá ser sujeito atuante nas eleições. Se blogs, sites e as comunidades virtuais trarão elementos importantes para análise para os eleitores. Já tivemos resultados dessas ferramentas no comportamento de clientes, que passaram a exigir mais qualidade de produtos por terem em suas mãos maior informação. Mas essa ferramenta também será eficiente na escolha de políticos? Na determinação partidária? Ou se tornará uma avalanche de informações infundadas, brigas pessoais e falatório irresponsável? Por isso, políticos e eleitores terão papel fundamental no mundo virtual.

Por parte dos políticos, ficará evidente que o poder da informação decidirá a escolha dos eleitores. Esse personagem estará cada vez mais ativo em discussões, dando sua opinião sobre as propostas políticas e sobre plano de governo. O político deverá saber das ferramentas e como elas são utilizadas. A promoção não dependerá apenas do marqueteiro, mas da própria desenvoltura desse político com seus eleitores. Vimos isso nas eleições americanas, onde a massa crítica da eleição aconteceu nas discussões via internet e na participação ativa dos políticos no mundo virtual.

Do outro lado, o eleitor saberá que não é apenas pelos minutos da televisão que decidirá seu voto, mas também por aquilo que “andam falando” de determinado candidato. Ferrenhos opositores e apaixonados seguidores formarão um aglomerado de informações que, verdadeiras ou não, serão validadas ou questionadas pelo próprio candidato e por aqueles que buscam conhecimentos. O político será o resultado das meias verdades e das meias mentiras jogadas no palanque virtual e que, como num show de música ou apresentação teatral, terá a presença intensa de uma platéia que tem nas mãos o poder da escolha.

O perigo desse jogo está exatamente nas características exclusivas do mundo virtual: velocidade, poder de penetração, acesso e a avalanche. Uma informação jogada num texto qualquer, por uma pessoa qualquer; se multiplicará no mundo virtual como uma bactéria ou vírus num habitat propício. Essa informação tomará caminhos diversos (penetração), onde a crítica deverá ser tão veloz quando a sua propagação, chegando aos diversos lugares para diversos públicos e o pior: “Tudo ao mesmo tempo agora” (avalanche). Não ser crítico das informações é ser engolido por elas.

Em segundos, opiniões serão destruídas e construídas, como se fossem elaboradas num mundo onde real e irreal é tão confuso quanto dependentes. Tornando, portanto, “o voto decidido por segundos” a grande oportunidade para os políticos. E ao mesmo tempo, numa ameaça para a democracia a fragilidade ideológica dos eleitores. Em que ponto nós seremos críticos em matéria de política e quando teremos políticos totalmente engajados? A resposta deve estar passeando por ai, basta procurar.

2 Comentário

  1. O mundo da internet satisfaz um anseio comum do homem, a ‘imediatiedade”, se é que existe essa palavra.

    Mas não vejo isto como ruim, apenas exige mais cuidado.

    Também creio que a questão do texto e opinião como bactéria ou vírus é bem exagerado, já que sabemos que a divulgação e audiência da internet vai além da qualidade, passa muito mais por uma questão de parceria, pagerank e relacionamento na web.

    Mas enfim, o texto está bem firme.

  2. Obrigado pelo comentário.

    Realmente exagerei um pouco em relação ao vírus e a bactéria….rs. Mas realmente não foi minha intenção dar um caráter negativo às informações que circulam no mundo virtual, mas sim dizer que sua propagação é muito parecida com estes.

    Concordo com você que os “guetos” que se formam em determinadas comunidades, conseguem ser fortaleza para essas informações. Como você disse, a qualidade da informação na confiança (relacionamento na web).

    Valeu!
    .-= Último post do Sérgio: Exercício de imaginação sobre a improvável aliança para 2010 =-.

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